Um conto de terror urbano que transforma o metrô de São Paulo em cenário digno de cinema

A cada dia, cinco milhões de pessoas cruzam os túneis do metrô de São Paulo. Todas com pressa e todas passando por espaços que raramente observam. Vazios, vãos, sombras… lugares onde histórias silenciosas permanecem presas.

É nesse ambiente de fluxo intenso e invisibilidades que nasce O vão entre o trem e a plataforma, de Mário Bentes, publicado pela Lendari® Entertainment.

A obra assume desde a primeira cena uma estética de terror urbano cinematográfico, evocando a tensão de filmes como Voo Noturno, O Grito, Olhos Famintos e até o desconforto psicológico de Cisne Negro.

Assim como nessas produções, o horror de Bentes opera na fronteira entre o real e o sobrenatural, um território onde o que é visto pode ser negado, e o que é negado pode matar.

A história que poderia ter acontecido em qualquer dia

No conto, uma mulher cai nos trilhos da estação Trianon-Masp diante dos filhos. Um suicídio? Um acidente? A dúvida se intensifica quando uma testemunha — confusa, assustada, fragmentada — afirma ter visto uma sombra empurrar a vítima. Não uma pessoa. Uma sombra.

Chamado para investigar o caso, um especialista em fenômenos paranormais desce aos subterrâneos e encontra nele não apenas a frieza do concreto, mas uma presença coletiva, residual, inquietante. O metrô torna-se personagem: um organismo vivo, lotado de memórias, tragédias e almas que nunca deixaram de circular.

A narrativa lembra o clima opressivo de filmes ambientados em espaços fechados, como O Expresso do Amanhã (Snowpiercer), As Above, So Below , ou até o terror urbano-metafísico de Premonição.

Não é coincidência: Mário Bentes estrutura sua prosa com ritmo de montagem rápida, cortes precisos e transições que funcionam como cenas.

Horror psicológico, trauma urbano e espiritualidade sombria

Bentes trabalha com o imaginário espiritual brasileiro — próximo do espiritismo e das crenças sobre almas desencarnadas — e utiliza o metrô como um espaço de colisão entre o visível e o invisível.

O resultado é uma obra curta, intensa e altamente adaptável: é fácil imaginar este conto como um curta-metragem de horror ou um episódio de série antológica, nos moldes de Black Mirror, Arquivo X ou Guillermo del Toro’s Cabinet of Curiosities.

Lendari® Entertainment

A Lendari® Entertainment nasceu em novembro de 2014, inicialmente especializada em ficção fantástica, ficção científica, ficção especulativa, terror e horror. Mas logo expandiu seu catálogo e abraçou outros gêneros, como thriller, policial e quadrinhos adultos. Já são mais de 100 títulos publicados.

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