Na mansão morava uma mulher sem cabeça, obra de terror psicológico do premiado escritor Rodrigo Ortiz Vinholo, reinventa elementos do folclore japonês para criar uma narrativa sombria sobre laços familiares, rituais e segredos ancestrais.
Nos últimos anos, obras que exploram o folclore asiático — especialmente o japonês — ganharam força no mercado editorial e audiovisual, impulsionadas por releituras de mitos, assombrações e entidades que atravessam séculos.
Inserido nessa tendência, Vinholo dialoga com figuras tradicionais como as rokurokubi (mulheres cujo pescoço se estende durante a noite) e lendas de espíritos decapitados, reinterpretando-as de maneira contemporânea e emocional.
O resultado é um horror profundamente cultural, que utiliza símbolos e crenças para discutir poder, memória e o peso das tradições familiares.
“Quis explorar como tradições podem atravessar gerações como uma sombra — e como o medo, quando ritualizado, se transforma em herança. A matriarca sem cabeça simboliza tudo aquilo que a família tenta manter vivo, mesmo quando já deveria ter sido enterrado.” — Rodrigo Ortiz Vinholo
Sobre o livro
A família Takeda carrega um pacto silencioso há gerações: sua prosperidade estaria ligada à preservação de uma matriarca sem cabeça, cuja existência — ou resistência — depende de rituais antigos, superstições e disciplina rigorosa.
Os irmãos Tarō e Jirō cresceram sob esse legado. Enquanto um segue fielmente a tradição, o outro questiona as forças invisíveis que moldam o destino da família. Tudo muda quando uma onda de ataques atinge as propriedades dos Takeda — sempre acompanhados por uma cabeça voadora, cuja identidade ninguém ousa duvidar.
Essa presença inquietante desencadeia uma espiral de medo, revelações e conflitos que obrigam os irmãos a confrontar a pergunta que os assombra desde a infância: até onde vale preservar uma tradição que exige tanto sangue?
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