Eu queria começar dizendo que Verity tinha uma premissa que poderia ser MUITO boa.
Uma escritora é contratada para terminar a série de livros de uma autora famosa que sofreu um acidente e ficou incapaz de continuar escrevendo. Ao chegar à casa da família, ela encontra uma autobiografia de Verity que deveria permanecer escondida, e o que está escrito ali é perturbador.
Pronto. Temos um ótimo ponto de partida para um suspense psicológico. Sério, não parece ruim.
O problema é que Verity tem 320 páginas e, sinceramente, eu acho que umas 100 são história, o restante é uma quantidade absurda de atos libidinosos desnecessariamente desconfortáveis e, principalmente, desnecessários para a história.
E não, meu problema não é o livro ter sexo. O problema é que eu constantemente tinha a sensação de que a história estava tentando me prender com cenas que não acrescentavam praticamente nada à trama, enquanto aquilo que realmente poderia tornar o suspense interessante ficava em segundo plano.
"Ai Milenna, mas era necessário pra descrever o quanto ela era obcecada por ele" NÃO, NÃO ERA, E É PATÉTICO.
E quando você tira toda essa enrolação, sobra uma história que, para mim, é fraca, previsível e mal escrita. Eu não consegui me envolver de verdade com os personagens e, em vários momentos, senti que as situações eram construídas muito mais para causar choque do que para fazer sentido dentro da história. O livro quer desesperadamente que você fique horrorizado com o que está lendo, mas, depois de um tempo, eu só estava pensando:
“Tá. E a história?”
E o pior é que eu acho que Verity poderia ser um conto muito mais eficiente. A premissa é interessante, o mistério é simples e existe uma ideia muito boa por trás da história: até que ponto podemos confiar no que estamos lendo e em quem está contando a verdade?
Só que o livro estica isso até onde consegue.
E aí chegamos ao final.
A famosa carta deixa duas possibilidades: ou Verity estava dizendo a verdade, e Lowen e Jeremy mataram uma mulher inocente, ou ela percebeu que seria descoberta e escreveu a carta como uma última tentativa de manipulação para se safar.
Eu entendo perfeitamente a intenção de deixar o leitor decidir qual versão é verdadeira.
Mas achei uma merda KKKKKKKKKKKKKK
Porque depois de passar o livro inteiro esperando uma resposta, terminar justamente sem saber se a pessoa que você passou 300 páginas odiando era realmente culpada ou não não me deixou intrigada. Me deixou broxada.
Para mim, ficou menos com cara de “uau, que final ambíguo” e mais com cara de “não vou responder porque assim vocês podem discutir por anos”.
No fim, Verity é um daqueles livros que eu consigo enxergar perfeitamente por que tanta gente gosta. A premissa chama atenção, tem cenas chocantes e é uma leitura...Não diria fácil, porque pra mim foi extremamente desconfortável.
Eu queria mais história e menos enrolação, personagens melhor construídos, um suspense menos previsível e, principalmente, um final que realmente tivesse alguma coisa a dizer.
Verity tinha potencial para ser um ótimo suspense psicológico. Para mim, acabou sendo 320 páginas tentando esconder que a história cabia em 100.
Nota: ⭐

