É escrevendo que se faz a escrita [aposto que você leu com ritmo]

Você quer ser escritor ou quer escrever?

Se você leu a questão acima e pensou que as duas sentenças são a mesma coisa, volte e releia. Fique com ela pelo tempo necessário até que consiga destrinchar os caminhos de cada possibilidade e sentir a sua mente explodir.

Feito isso, seguimos. Eu tenho uma questão muito incômoda com o estereótipo do escritor-trancado-num-sótão-morrendo-de-tuberculose-e-dependência-de-álcool-enquanto-luta-pra-arrancar-as-palavras-da-alma-torturada. Se você escolheu essa skin pro seu avatar do jogo da vida, TUDO BEM. Até tenho amigos que também escolheram. Mas eu considero muito importante que nós, guardiões dos antigos segredos do mundo da escrita, gastemos algum tempo pra desmistificar o sofrimento de ser escritor.

Escrever pode ser muito divertido. Na verdade, eu acredito que sempre deveria ser se você escolheu fazer isso da sua vida. Não faz sentido escolher uma coisa que vai te fazer sentir miserável a cada segundo gasto juntando palavras. O processo pode ter seu impacto emocional, mas não precisa ser uma garfada no olho a cada letra que aparece na página. Então, pequeno gafanhoto, considere isso quando começar. Até porque, se você está odiando escrever, quais as chances de que quem for ler goste?

E, sobre nossa consideração inicial, pense por esse ângulo: eu posso querer ser astronauta. Mas se eu não fizer astronautices, querer não me transforma em uma. E aqui não estamos levantando nenhuma prova de mérito sobre quem pode dizer que é escritor. Estou falando direto com seu coraçãozinho. Essa criaturinha agitada aí dentro do seu peito que clama por se aventurar nesse mundão de meu deus que é a escrita. Escreva! Não planeje tanto. Na verdade, nem planeje. Pegue seu caderno, seu computador, seu celular, o vidro embaçado do box. E comece. Se liberte, jovem padawan! Prometemos que aqui não existe ordem 66.

originalmente publicado na Newsletter Criando Ornitorrincos em 31/12/25