diário de bordo

Estou editando meu primeiro livro. Meu no sentido de editoração, não fui eu que escrevi. Mas criei o edital e participei da seleção. O primeiro projeto que eu pego desde o nascimento até a distribuição. E está sendo uma experiência fantástica.

A vida do livro é uma jornada que pode ser bem mecânica. Existem as etapas e nós as seguimos. Mas eu não acredito na mecanicidade sem um toque de magia. Posso conviver com autômatos, mas preciso que a centelha primordial que os move seja mágica. E faço questão de trabalhar assim desde o primeiro destino.

A maior dificuldade que encontrei nessa conduta foi descobrir o ponto de equilíbrio, pra não ser alegre demais e parecer invasiva e também não ser distante demais e parecer indiferente. Pra ser honesta, ainda estou trabalhando nisso. Mas sinto que estou chegando lá. Quero que as pessoas autoras sintam a felicidade de pirlimpimpim que eu sinto quando trabalho com elas.

Quando estamos no papel de editoras, é como se fôssemos doulas de histórias. Mesmo a pessoa escritora mais experiente pode se beneficiar de uma editora humanizada. Acredite em mim, podemos destruir sonhos com a rapidez de um e-mail. Não somos juízas da verdade absoluta. Somos contadoras de histórias. Mesmo que a história não seja nossa. Então por que não contar as histórias da maneira mais incrível que pudermos?

Uma história é feita de histórias não contadas. O livro que folheamos tem um pano de fundo costurado por muitas pessoas, e uma das que mais pode causar danos com a agulha é a editora. Seja por negligenciar etapas ou atenção, seja por falta de empatia ao comunicar que não será possível seguir com aquele material. Eu entendo o mundo sem freio em que vivemos. Mas pode apostar que o tempo que se leva pra escrever um e-mail rude é exatamente o mesmo que se leva pra escrever um legal. E os desbodramentos de cada um são a diferença que pode custar a carreira de alguém.

Se magia não for o motivador da sua jornada como editora, encontre o que te serve. Tire a pedra de gelo de dentro do peito e deixe seu coração de pelúcia pulsar.

originalmente publicado na Newsletter Criando Ornitorrincos em 20/01/26