...precisa ouvir suas editoras!
Hoje eu quero falar de histórias. Assim, jogadas ao vento. Tem um ditado que eu gosto muito que diz que toda história tem três lados: o meu, o seu e a verdade. Acho que é um excelente ponto de partida. E aqui preciso dizer que vivo nos dois mundos — crio minhas histórias incríveis e meto o bedelho nas histórias incríveis alheias.
Comecei minha jornada no Universo das Palavras como escritora (posso dizer que foi até por acidente, mas já li histórias demais pra acreditar nessas coisas) e fui me embrenhando mais e mais até começar a atuar nos bastidores como revisora e, a conquista mais recente, editora (podre de chique, eu sei, fiquem de olho em tudo que vai sair esse ano). Então acredito que tenho um certo respaldo pra dar meus dez centavinhos de opinião.
Primeira colocação: eu conheço o sentimento de como ousa?! que surge quando começam a mexer nos nossos textos. Lembrem, eu comecei desse lado. E confesso que até hoje ainda engulo em seco quando preciso aceitar as alterações — a diferença é que agora eu entendo o quanto isso valoriza o que eu criei e que não é um duelo de egos (embora meu divertidamente Arrogância às vezes quase leve a melhor). Sei que o original foi criado com tripas e lágrimas e nós, os mexilhõezinhos-dos-textos-que-não-são-nossos, não queremos diminuir isso. Só queremos ajudar com os arremates finais pra que as pessoas leitoras não acabem com um amontoado confuso de fios e tecidos esgarçados nas mãos.
Dito isso, nem toda editora é pra toda escritora. Se você se sente invadida cada vez que precisa passar por esse processo, provavelmente é hora de conhecer outras profissionais. Tenho certeza de que existe uma editora que é o seu número. E, quando esse encontro acontecer, você vai sentir as borboletas no estômago dando o anúncio de uma parceria literária mágica. E isso vale também pras outras profissionais envolvidas na cadeia do livro: preparadoras, revisoras, diagramadoras, capistas… Existe uma perfeita pra você por aí, não desista de encontrá-la!
Colocar uma história no mundo é um trabalho coletivo (tudo bem, também pode ser individual se você optar por ser a Cavaleira Solitária da Autopublicação — e isso está longe de ser uma crítica, considero esse um recurso importantíssimo com muitos casos de sucesso absurdo, inclusive minha obra principal é autopublicada, ainda não é um caso de sucesso absurdo, mas podemos falar disso outro dia). Então nada mais justo do que nos cercarmos de profissionais que façam o processo ser incrível, mesmo quando precisa doer um pouquinho.
originalmente publicado na Newsletter Criando Ornitorrincos em 09/01/26

