Ser pequeno não é ser menor

Eu estava conversando e quis explicar o tipo de comida de que gosto. Usei o termo paladar infantil porque, apesar de odiar, ele explica de um modo bem democrático o que eu queria dizer. E, desde então, fiquei pensando sobre a classificação infantil como algo pejorativo no sentido de inferior.

Já escrevi sobre o conceito pavoroso de literatura infantil e literatura adulta como uma demarcação de literatura menor e maior. Escrever pra crianças não é o mesmo que produzir histórias rasas, moralizantes e mal feitas. É o oposto: os pequenos são as pessoinhas leitoras mais difícieis de envolver e com critérios de qualidade muito firmes. Quem escreve de qualquer jeito pra crianças está produzindo literatura sem-complemento-aqui mal feita.

Estou em uma jornada de entendimento e compartilhamento da literatura pra crianças como a arte de salvar o amanhã. Historinhas de ninar podem ser historinhas de ninar, mas não caia no conto da Carochinha de que são apenas isso. Existe um poder dentro de cada história em que uma criança embarca que pode ser o combustível que vai mover nossa salvação como humanidade. E não tem nada de metafórico aqui.

Que o paladar infantil seja uma preferência por comidas que dão alegria e a literatura infantil tire a criptonita do sapato de super-heroínas e super-heróis.

originalmente publicado na Newsletter Criando Ornitorrincos em 29/01/26