Hoje é aniversário do Poe. O escritor, não o teletubbie. Honestamente, não gosto muito da literatura dele. A queda da casa de Usher (o conto, não a série) me agrada bastante, mas no geral acho ele muito inimigo dos animais pro meu gosto. Claro que reconheço a importância. Mas isso não está automaticamente associado a gostar.
Agora essa constatação parece óbvia mas, por muito tempo, enfiei os grandes goela abaixo (tudo bem, permito um sorrisinho aqui, eu facilitei nessa) porque eram os grandes, leitura o-b-r-i-g-a-t-ó-r-i-a! É claro que existem algumas leituras que são obrigatórias, dependendo do que você vai fazer. Mas, pra ser degustadora de palavras, isso é a maior besteira que já inventaram. Se te agrada passar tempo com os clássicos, vá em frente. E, se assim como eu, cada segundo dentro desses universos é menos agradável do que enfiar um garfo no olho, largue mão. Tem um monte de livros por aí que vão te fazer muito mais feliz.
Não existe essa coisa de literatura melhor ou pior. Literatura é a arte da palavra. E palavras são palavras e todas são incríveis. Quem defende que apenas escritores clássicos produziam literatura de verdade (só deus sabe como eu odeio esse termo!), está falando de um lugar elitista enquanto morre de medo que o futuro venha e morda sua bunda. Talvez apenas não se sinta apto a acompanhar seus pares na criação da literatura do hoje. Ou talvez reproduza um discurso introjetado. Ou talvez só seja um babaca de monóculo.
Hoje existe uma facilidade muito maior em publicar. “E por isso qualquer pessoa pode escrever livros!”, diz, em tom de desdém, o Bob-Esponja-homem-das-cavernas. Não seja assim. Explore todas as possibilidades que essa nova era nos dá. Pense em quantas histórias nascem todos os dias. Algumas não vão estar com a melhor revisão ou diagramação? Com certeza. Mas entenda o propósito de contar histórias. Aposto que você vai descobrir mundos que nunca se daria o prazer de conhecer se ficasse presa em uma classificação arcaica e arrogante.
Abra um livro e mergulhe. No máximo você vai nadar pra fora antes do final. Essa é a beleza de uma história. Alguém cria um universo onde você escolhe como caminhar.
originalmente publicado na Newsletter Criando Ornitorrincos em 19/01/26

