Meu caminho na literatura está nas primeiras curvas da estrada de tijolos amarelos, e já me orgulho de colecionar aventuras quixotescas. Mas nem por isso deixo de ter momentos de nano-criação, e acredito que esses são meus reflexos anímicos mais fiéis.
Quando comecei a me aventurar pelas crônicas, meu objetivo era ter ocasiões matinais de café e contemplação. Não sabia onde ia começar e muito menos onde ia terminar. Era uma escrita parnasiana, o escrever pelo escrever. E encontrei um refúgio criativo bucólico onde qualquer fagulha randômica pode se desenvolver em um universo inteiro. Ou em um texto opinativo sem qualquer compromisso além do acúmulo de palavras que precisam de um descarrego cerebral. Essa é a beleza da criação livre.
Dito tudo isso, faço aqui minha estreia como colunista do Almanaque Fantástico. Escrevo para mim e para vocês, leitores, autores e o que o coração deseja ser. Escrevo para escrever e escrevo como um chamado. Um chamado para mim, para que alimente minhas criaturinhas-criadoras, e para vocês, para, quem sabe, que comecem a alimentar as suas.
Escrever não precisa ser prisão. O ideal é que seja libertação. Inclusive de nós mesmos.


