Em 1995, uma mulher chegou ao Hotel Oslo Plaza, na Noruega, usando roupas caras, sem bagagem significativa e sem documentos. No registro do hotel, identificou-se como Jennifer Fairgate, da Bélgica. Dias depois, seria encontrada morta dentro do quarto 2805, atingida por um tiro na têmpora. A porta estava trancada por dentro, e a chave permanecia sobre a cama.

O caso foi tratado pelas autoridades como suicídio. Mas algumas perguntas permaneceram sem resposta. Entre elas, a própria identidade da mulher. É justamente a partir dessas lacunas que o escritor Mauricio R B Campos desenvolveu “O Quarto Trancado do Hotel Oslo Plaza”, novo lançamento da Lendari® Entertainment, que chega ao público em setembro, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026.

O ponto de partida da obra é um caso real que continua cercado de mistério. Segundo o dossiê produzido pelo autor, Jennifer Fairgate fez check-in em 3 de junho de 1995. Ela usava roupas de grife, tinha poucas peças consigo e não portava passaporte ou outros documentos de identificação. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado no quarto. A investigação oficial não conseguiu determinar quem ela realmente era.

Seis meses em busca de respostas

A investigação de Mauricio começou com uma pergunta simples e perturbadora: e se não tivesse sido suicídio?

O que inicialmente era uma curiosidade sobre o caso se transformou, segundo o próprio escritor, em seis meses de pesquisa e análise dos detalhes disponíveis sobre a morte de Jennifer Fairgate. O resultado desse processo deu origem à reconstrução literária apresentada no livro.

“Essa foi a pergunta que me fez passar seis meses investigando cada detalhe do caso Jennifer Fairgate”, explica o autor, em entrevista exclusiva ao Almanaque Fantástico.

No material de pesquisa, Mauricio apresenta também uma linha do tempo dos acontecimentos no Hotel Oslo Plaza, chamando atenção especialmente para os registros de abertura da porta do quarto 2805. O documento destaca acessos registrados durante a madrugada e na manhã seguinte, incluindo uma visita pouco depois da entrada da hóspede e uma nova abertura da porta horas antes da descoberta do corpo.

A proposta do autor foi além de simplesmente recontar o episódio, mas “reorganizar as peças do caso e imaginar uma explicação para aquilo que permaneceu sem resposta. Uma teoria que conecta pontos que ninguém conectou”, define Mauricio, no dossiê.

Do mistério norueguês à espionagem internacional

É nesse ponto que a ficção entra em cena.

Em “O Quarto Trancado do Hotel Oslo Plaza”, Mauricio utiliza o caso de Jennifer Fairgate como ponto de partida para uma narrativa que amplia o mistério para o universo da espionagem internacional. A protagonista é uma mulher criada pela Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, que se transforma em assassina de aluguel após a queda do Muro de Berlim.

Em meio ao cenário de instabilidade que marcou os primeiros anos do pós-Guerra Fria, ela chega ao centro de uma disputa envolvendo informações capazes de alterar o equilíbrio político internacional. Em seu poder está uma lista de agentes duplos relacionados a organizações como Mossad, FSB, CIA e PLO.

A personagem passa então a negociar a própria liberdade enquanto tenta sobreviver carregando segredos que poderiam comprometer um dos mais delicados processos diplomáticos daquele período.

Um quarto, uma morte e muitas perguntas

O próprio formato da investigação realizada por Mauricio ajuda a entender a atmosfera que o livro pretende criar.

O dossiê apresenta uma cronologia detalhada dos últimos momentos conhecidos de Jennifer no hotel. O registro começa às 22h44 de 31 de maio de 1995, quando ela entra no quarto 2805. Às 0h21, já durante a madrugada, aparece um novo registro de abertura da porta. Às 8h34, Jennifer deixa o quarto. Depois, às 13h, uma funcionária entra para arrumá-lo. No dia seguinte, às 8h50, há um novo registro de acesso atribuído à própria Jennifer; às 11h03, aparece o último registro de abertura da porta do quarto. O corpo seria descoberto às 19h03 de 3 de junho, quando começa a investigação policial.

É justamente essa sucessão de horários e acessos que alimenta a principal provocação do projeto: se a porta estava trancada por dentro, como interpretar os registros de entrada e saída? O dossiê apresenta a questão diretamente ao leitor: “isso parece suicídio?”

A pergunta, porém, não pretende apresentar uma conclusão sobre o caso real. Ela funciona como ponto de partida para a interpretação ficcional de Mauricio.

A história por trás da história

A ambientação também é fundamental para a construção do romance. A narrativa se passa em um momento de grande tensão diplomática, dois anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, quando as relações entre Israel e Palestina permaneciam extremamente frágeis.

Nesse contexto, a ficção aproxima o mistério individual de Jennifer Fairgate de uma conjuntura geopolítica marcada pelo fim da Guerra Fria, pela atuação de serviços de inteligência e pela disputa de informações.

A trama se desenvolve ainda no período que antecedeu o assassinato de Yitzhak Rabin, quando a manutenção do processo de paz no Oriente Médio representava uma questão de enorme relevância internacional.

Assim, o quarto de hotel deixa de ser apenas o cenário de uma morte misteriosa e passa a funcionar como a porta de entrada para uma história muito maior, envolvendo identidades falsas, agentes duplos, interesses políticos e pessoas dispostas a matar para proteger seus segredos.

Um mistério que chega à Bienal

Publicado pela Lendari® Entertainment, “O Quarto Trancado do Hotel Oslo Plaza” será lançado durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026. O livro estará disponível para venda no estande da editora durante o evento, pelo preço de R$ 45.

Com a obra, Mauricio R B Campos transforma uma investigação sobre uma mulher cuja verdadeira identidade nunca foi descoberta em um thriller de espionagem e sobrevivência. O resultado é uma história que transita entre documentação e imaginação, realidade e ficção. E que convida o leitor a olhar novamente para os detalhes de um caso aparentemente encerrado.

Para descobrir a resposta proposta pelo autor, será preciso abrir a porta do quarto 2805.